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Cesta Básica: Guerra entre Rússia e Ucrânia aumenta preço da farinha

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Em abril, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em todas as capitais alvo da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).  Quando se compara o custo da cesta individual e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), o trabalhador de Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco, remunerado pelo piso nacional, comprometeu com a aquisição da cesta básica individual 61,93%, 59,79%, e 60,10% da sua renda, respectivamente. Nesta pesquisa um dos produtos com maior elevação foi a farinha de trigo que com a guerra entre Rússia e Ucrânia teve redução na sua oferta no mercado externo elevando assim o seu valor.

No Sudoeste do Paraná, a pesquisa do custo da cesta básica de alimentação é realizada pelo GPEAD (Grupo de pesquisa em Economia, Agricultura e Desenvolvimento, do curso de Ciências Econômicas da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), campus de Francisco Beltrão e instituições parceiras.  Em abril, o custo médio da cesta básica de alimentos aumentou nos três municípios pesquisados, (3,41%) em Dois Vizinhos, (0,21%) em Francisco Beltrão e (8,03%) em Pato Branco. Em valores monetários, a alta em relação ao mês anterior foi de R$ 20,80 em Dois Vizinhos, R$ 1,28 em Francisco Beltrão e de R$ 45,47 em Pato Branco.

A cesta básica de alimentação com maior valor, no âmbito das localidades pesquisadas pelo GPEAD, foi a de Dois Vizinhos, R$ 630,14, seguida por Pato Branco, R$ 611,53 e, a cesta de menor valor foi a de Francisco Beltrão, R$ 608,32. O cálculo do valor gasto com a alimentação básica para uma família de tamanho médio (02 adultos e duas crianças – considerando que 02 crianças correspondem a 01 adulto) exige a multiplicação do valor monetário da cesta básica individual por 03.

Considerando os dados apurados para o mês de abril, é possível observar que o salário mínimo nacional, tanto o bruto (R$ 1.212,00) quanto o líquido (R$ 1.121,10) mostraram-se insuficientes para assegurar a aquisição da cesta básica de alimentação familiar, tanto para as cidades pesquisadas pelo GPEAD quanto para as demais localidades selecionadas. Para a manutenção de uma família de quatro pessoas, ou seja, se consideradas as necessidades básicas para além da alimentação, o salário mínimo deveria ter sido, em abril, de: R$ 5.293,80, em Dois Vizinhos, R$ 5.110,53, em Francisco Beltrão e R$ 5.137,44, em Pato Branco. Comparando o valor da cesta de abril de 2022 com o mesmo mês de 2021 constata-se um aumento de 29,23%, em Dois Vizinhos; de 22,67%, em Francisco Beltrão; e de 33,78%, em Pato Branco.

 

Produtos

Os produtos da cesta básica de alimentação cujos preços médios aumentaram na maioria das capitais pesquisadas pelo Dieese foram: óleo de soja, pão francês, farinha de trigo, leite integral, batata, arroz, café em pó e feijão. Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, a maioria dos  produtos que integram a cesta básica de alimentação apresenta alta em seus preços médios, com exceção do açúcar e alguns outros produtos que tiveram retração de preço em apenas uma das localidades pesquisadas.

Óleo de soja - A alta no preço do óleo de soja foi registrada em todas as capitais. Nas cidades pesquisadas pelo Grupo, o aumento de preços foi de (0,18%) em Dois Vizinhos, (6,04%) em Pato Branco; diferentemente, em Francisco Beltrão houve redução de preço em (-0,11%). Segundo o Dieese, os aumentos de preço decorrem de uma maior demanda externa e preços elevados no mercado internacional.

Pão Francês - O preço do quilo do pão francês subiu em todas as cidades pesquisadas pelo Dieese. Nas cidades pesquisadas no Sudoeste do Paraná, o preço do pão francês aumentou em Dois Vizinhos, (7,01%) e em Pato Branco (0,82%). Em Francisco Beltrão houve recuo de (-4,17%). A farinha de trigo, coletada nas capitais do Centro-Sul apresentou elevações de preço, bem como nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, à exceção de Pato Branco. As altas de preço do pão e da farinha de trigo estão associadas a “redução da oferta de trigo no mercado externo, por causa do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e, internamente, a valorização do dólar em relação ao real fez com que o produto importado chegasse mais caro ao país”, segundo Dieese.

Leite Integral - O preço do leite integral aumentou em todas, (13,50%) em Dois Vizinhos, (12,97%) em Francisco Beltrão, e (22,22%) em Pato Branco. Já o preço médio do quilo da batata aumentou em  (9,39%) em Dois Vizinhos, (18,49%) em Francisco Beltrão, e (27,42%) em Pato Branco. Segundo o Dieese, as chuvas e a maior demanda pelo tubérculo no período da semana santa provocaram redução na oferta, o que elevou o preço no varejo.

Café - O preço médio do café teve alta de (6,26%) em Dois Vizinhos, (3,88%) em Francisco Beltrão e (40,4%) em Pato Branco. Segundo o Dieese, “a valorização do dólar e a alta dos preços internacionais explicaram a elevação no varejo”.

Feijão - A alta no preço médio do feijão ocorreu tanto para o tipo carioquinha, quanto para o tipo preto sendo que o preço médio do feijão preto foi de (3,09%) em Pato Branco e (0,94%) em Dois Vizinhos. Em Francisco Beltrão, houve retração de (-0,41%).

Arroz - O preço médio do arroz agulhinha aumentou em 16 capitais. Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, é coletado o preço do arroz parboilizado, que apresentou elevação de preços em Francisco Beltrão (0,60%) e Pato Branco (3,05%). Em Dois Vizinhos ocorreu retração de (-5,78%). A valorização do grão no mercado internacional explica parte da alta no preço do arroz, mesmo com o avanço da colheita em abril e a maior oferta do produto.

Tomate - O preço médio do quilo do tomate apresentou significativas oscilações de preço nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, com aumento de preços em Pato Branco (60,59%) e Dois Vizinhos (10,47%), diferentemente, em Francisco Beltrão houve retração de (-14,09%).

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