Grupo de Obesidade do HU comemora resultados
O Grupo de Atenção à Obesidade (GAO) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná, reuniu nesta segunda-feira (9), no auditório do Hospital, pacientes do programa, acompanhados de seus familiares, para uma confraternização e roda de conversa para relatos de experiências e dinâmicas em grupo.
O encontro foi mediado pelo coordenador do Serviço de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do HUOP, doutor Allan Cézar Faria de Araújo. “Agradeço a equipe e vocês, que estão aqui hoje para relatarem experiências que servirão de exemplo para outros que necessitam ter uma vida mais saudável”.
O projeto envolve profissionais do Serviço de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário do Oeste, da 10ª Regional de Saúde - Cresems PR, de prefeituras de toda a região. O Grupo realiza reuniões periódicas com uma equipe multidisciplinar. “Em 2016, tínhamos aproximadamente quatro parceiros, agora temos mais de 40. Temos que lembrar que a prevenção é o melhor caminho para a luta contra a obesidade”, disse.
Em 2019, o GAO coleciona algumas conquistas, como a inclusão do ‘Mais Saúde - todos juntos contra a obesidade’ no calendário oficial do município. O GAO reúne participantes de 22 municípios da macrorregião Oeste paranaense.
O ano de 2019, foi marcado também pelo VI Encontro da Atenção à Obesidade, em agosto, no Campus de Cascavel da Unioeste, com participação de profissionais do País, Estado e região de abrangência do Hospital.
Jane Gonçalves de Ramos Bonzanino faz parte do grupo desde 2017, e agora que está quase chegando aos seus 40 anos de idade, declara que tudo mudou. “Perdi 16 quilos nesses dois anos, e afetou tudo na minha vida: o que comer, quanto comer, quando comer, como comer, quais exercícios fazer. É muito diferente saber fazer essas coisas da forma correta. Vou tentar não fazer a cirurgia, já consegui emagrecer bastante e espero conseguir emagrecer mais. É ótimo recuperar a autoestima e voltar a conseguir fazer minhas coisas, comprar as roupas que gosto porque elas cabem em mim”.
Complexidade
Atualmente o GAO faz parte de uma rede de prevenção nacional do Governo Federal de atuação integrada junto à Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN).
Dr. Allan alerta que campanhas dessa natureza devem ser alinhados num maior contingente geográfico e demográfico. “Há indicadores que mostram que a obesidade está aumentando em todas as idades. Temos que ter uma linha de cuidado otimizada, da gestação até idosos. Essa é uma oportunidade para discutirmos o assunto e apresentarmos experiências exitosas”.
O Serviço de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do HUOP é normatizado pelo Ministério da Saúde. Desse modo, insere pessoas com sobrepeso e, principalmente, indivíduos que apresentam IMC > 40 kg/m² ou casos mais complexos são encaminhados à Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas.
A pessoa que sofre com o problema deve procurar ajuda na Unidade Básica de Saúde mais próxima e integrar-se ao programa. Atualmente, todo o tratamento, incluindo cirurgia bariátrica, é coberto pelo SUS.
A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo poderia chegar a 75 milhões, caso nada seja feito. Pesquisa do Ministério da Saúde, de 2017, mostra que quase 1 em cada 5 (18,9%) são obesos e que mais da metade da população das capitais brasileiras (54,0%) estão com sobrepeso.
O paciente Zilso Tonse tem 60 anos e há quatro faz acompanhamento no Serviço do HUOP. Ele conta que não tem vontade de realizar a cirurgia, porque somente com sua força de vontade já conseguiu resultados bem positivos, e nessa conseguiu motivar sua irmã a também lutar contra o sobrepeso.
“Eu não conseguia dormir, caminhar, me trocar, nem por um calçado sozinho. Eliminei 32 quilos e recuperei a minha vida. Ainda tenho limitações, não posso fazer todo tipo de exercício, mas além de reaprender a me alimentar, tive que aprender quais exercícios e como posso fazer. Eu moro com a minha irmã e é ela quem cozinha pra nós, e depois que comecei a participar aqui do grupo, minha irmã começou a fazer comidas mais saudáveis, com menos sal, e hoje em dia até ela e meu cunhado fazem caminhada no fim da tarde”, conta Zilso.
O endocrinologista doutor Fabiano Sandrini é especialista em endocrinologia pediátrica e na ocasião ressalta que a atenção deve vir desde as crianças. “50% da população obesa começou aos 5 anos de idade, e isso mostra que é necessário prevenir desde a infância, o recomendado é que se atentem até a puberdade dessas crianças para que não se tornem obesas”.
Desta forma, se encerram as atividades do Serviço de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do HUOP neste ano, e as programações seguem para 2020. No encontro de hoje, foram entregues os encaminhamentos aos pacientes que irão fazer a cirurgia bariátrica e as recomendações aos que somente continuarão no grupo no ano seguinte.
Texto: Mara Vitorino/Amanda Alves.
Foto: Andréa Pasquetti




